“AI ESSES DIFÍCEIS AMORES” – parte 1, por angela o.
Outubro 8, 2008
ABBA “honey, honey” (1974)
http://www.youtube.com/watch?v=qeGtaSWzFRA
Lembrança dos ABBA
#1
Lembro-me
no auge de
uma paixão
ter à muito
sentido um
calorzinho,
não quer de
todo dizer ___
insatisfação,
mesmo se
veio do meu
amorzinho.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
toda molhada!).
#2
À que ser
realista e tudo
imaginar,
no regresso
a casa fazer
___ o jantar,
mais banhos
para dar e o
cão passear,
pouco tempo sobra
para com o corpo
___ gastar.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
bem acordada!)
#3
À noite deixo-me
adormecer no
___ sofá,
de revista aberta
sonhando ser
___ desejada,
mas quando o
fato do marido
ainda não está,
sobre a cama pronto
esqueço-me de ser
___ encontrada.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
a dormir!)
#4
Já não há mais
fantasias ao
___ luar,
quanto mais de
adolescente outras
___ porcarias,
por sermos
consideradas
___ velharias,
mesmo se teima
o calorzinho em
___ continuar.
(ai, esses difíceis
amores, quando toda
molhada!)
#5
Ninguém
acha normal
ou saudável,
que se perca
tempo com a
___ mãozinha,
no chuveiro ou
na almofada
quando sozinha,
como é tão bom
o calorzinho
___ inalterável.
(ai, esses difíceis
amores, quando
bem acordada!)
#6
Para quem não
o quer ver no
mesmo patamar,
o calorzinho é
uma espécie de
___ estágio,
para o grande
desafio do nosso
___ adágio,
o prazer a dois
sempre sempre a
___ transbordar.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
quando a dormir!)
#7
O prazer de par
em par bem
___ conseguido,
confesso que o sei
de muitas lá para o
___ calhariz,
nuns casos sei que
tiveram um final
___ feliz,
noutros desconfio
que não passou do
___ prometido.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo que
só a sonhar!)
Lisboa, 31.3.05
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“AI ESSES DIFÍCEIS AMORES” – parte2, por angela o.
Outubro 6, 2008
ABBA “Gimme! Gimme! Gimme! (1979)
http://www.youtube.com/watch?v=ibtOshtX7T0
Lembrança dos ABBA
#8
As mulheres
que não
atraem,
dificilmente
têm prazer
sozinhas,
ou só o terão
como as suas
vizinhas,
mas nunca com
quem gostem
quando saem.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
quando traem!)
#9
É que o calor-
zinho vem sempre
muito igual,
numa pequena
libertação com
muita pinta,
sem nunca
deixar que o
corpo minta,
como poucas
vezes numa
relação conjugal.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
que sentimental!)
#10
Sabemos que
nenhum homem
pode mentir,
quando o seu
calorzinho é
uma certeza,
homem satisfeito
fica sempre seco
na sua pureza,
enquanto ela
coitadinha leva seca
sem o sentir.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
a dormir!)
#11
Mulheres que levam
seca na cama perdem
toda a graça,
pois deviam
conhecer o êxtase
da espuma do mar,
mas muitas vezes
mentem antes
de lá chegar,
quando deviam
perder mais tempo
com a sua taça.
(ai, esses difíceis
amores, que são
uma desgraça!)
#12
Em sua casa
ou porque não
no seu serviço,
qual é o problema
de se sentir um
calorzinho,
de podermos
dar-lhe continuidade
mesmo de mansinho,
ou será que
parecemos impuras
sem o toutiço.
(ai, esses difíceis
amores, parecidos
com um ouriço!)
#13
Seremos sempre
umas mulheres
perversas,
se um dia resol-
vermos contar
às amigas,
(mas ao marido
ou namorado
jamais o digas,
pois eles nunca
aceitariam que
terguiversas).
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
entre travessas!)
#14
Para quem
vive muito
acompanhado,
ter um calor-
zinho rima
com traição,
o facto de se
sentir toda
essa agitação,
quer dizer que
se pensa num
outro desejado.
(ai, esses difíceis
amores, quando
ele é levado!)
Lisboa, 15.4.2005
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“AI ESSES DIFÍCEIS AMORES” – parte3, por angela o.
Outubro 3, 2008
ABBA “the winner takes it all” (1980)
http://www.youtube.com/watch?v=gEHqyevj7ss
Lembrança dos ABBA
#15
Qualquer prazer
será sempre
do mais forte,
e o que bem
quisermos
com ele fazer,
regra funda-
mental é
nunca perder,
mas estar
acompanhado
até à morte.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
sem norte!)
#16
Há que ter
sempre alguém
a nosso lado,
de livre vontade
e com as
mesmas defesas,
nas mesmas
condições mas
sem surpresas,
ás provocações
responder sem estar
transtornado.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
quando apavorado!)
#17
Porque é que
não se pode
mesmo estar,
sem pensar
no prazer tal
como ele é,
tal como o
imaginam ao
tomar um café,
se ás vezes
não o conseguem
concretizar.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
junto ao mar!)
#18
Será algumas
vezes por falta
de coragem,
será talvez por
pudor ou será
por timidez;
não pensem muito
acabem com
essa frigidez,
ponham-no já
em prática entre
a folhagem.
(ai, esses difíceis
amores, ou será
uma miragem!)
#19
Tenho uma
amiga que
hoje não vem,
mas pensa o
mesmo e está
mortinha,
de gostar que
alguém aqueça
a alminha,
por favor falem
se virem passar
alguém.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
sem ninguém!)
#20
Porque razão
tudo tem que
ser pensado,
não andei tanto
para ver esses
difíceis amores,
para falar ou
chorar cheia
de tremores,
basta somente
escrever quando
ele está prostrado.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
quando vergado!)
#21
Antes de me
pôr em frente
ao computador,
pensei muito
naquilo que
ia escrever,
agora que estou
mortinha por
desfalecer,
dá tu o primeiro
passo cheio
de amor.
(ai, esses difíceis
amores, mesmo
com alguma dor!)
Lisboa, 31.4.2005
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Google:
“PRATICAR AQUILO”, por angela o.
Setembro 15, 2008
Lembrança da Madonna
#1
Praticar esse
saber
- acordar;
tudo brotar
naquilo
- música,
possante
móvel o
- homem nu,
um ser
musical pura
- matemática,
equação e
abismo a
- cru,
sentir dor
no aro
- fálica,
no fechamento
que
- penetrou.
#2
O texto faz
silêncio
- total,
o aro
adquire-o
- enfim,
música
escrita e
- cerebral,
mancha de
ruído
- sem fim,
sobre os teus
ombros
- de coral,
ser égua
ser peixe
- ser tudo sim,
e no teclado
cair
- frontal.
#3
Num salto
mortal
– conseguido,
para o texto
a inclinação
- musical,
escrito e calado
na luta
- comido,
mais o
abraçar
- teatral;
receptivo um
ao outro
- penetrado,
o homem nu
ao piano ser
- astral,
no combate
consigo
- cambial.
#4
Levantar o
espírito para
- ela,
debruçar-me
sobre o
- piano,
à luz
da tua
- vela,
impressiona-me
este novo
- plano,
através da
ramagem
- amarela,
a música
ressoa este
- ano,
e o cheiro
percorre
- a trela.
#5
Reflectir no
piano nossas
- almas,
com intuito
de tudo
- devastar,
o músico nu
ouvi-lo na
- cama,
num muito
divino
- vergastar,
com nossa
escrita paixões
- na lama,
na força dos
nossos corpos
- manifestar,
o piano sem
peso no texto
- na trama.
Lisboa, 26.3.2004
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“Angelina nunca chora”– por angela o.
Setembro 8, 2008
Lembrança de Artemisa Coimbra.
#1
- Assim pensava eu: “Ah! sim,
eu amo o meu namorado” e toda
a rapariga merece conhecer a dor
na flor dos anos – “c’est tout !”.
___mas tudo começou
um dia inespera-
damente,
para que a incrédula
angelina conhecesse
o seu choro;
todos se interrogavam
quem seria
aquele doente,
aquela forma
insegura de choro
nas mãos do mouro.
(- “Maridinho! Sabias que há
rapazes desequilibrados,
gente que usa e abusa da
condição física e até mata.)
#2
- Assim pensava eu: “Ah! sim,
eu amo o meu marido” e toda a
esposa merece conhecer a dor
na flor dos anos – “c’est tout !”.
___ mas inesperada-
mente da janela
subia aquele choro,
vindo do pátio
do lado sem luz
pois anoitecia;
do quarto se ouvia
a violência no ar
do silvo a couro,
a deselegância
do som que a todos
nos oprimia.
(- “Maridinho! Porque há
demasiados homens que
maltratam as esposas,
até na presença dos filhos?”).
#3
- Assim pensava eu: “Ah! sim,
eu amo o meu amante” e toda a
mulher merece conhecer a dor
na flor dos anos – “c’est tout !”.
___ mas não
era a primeira vez
confessou-me Angelina,
nem a segunda
ou seguramente
a última vez,
(que aquele som
vinha de dentro num
choro de menina);
choro que ia
subindo em violência
sobre a minha tez.
(- “Maridinho! Sabias que há
amantes, gente de mau carácter
que usa e abusa da condição
física e que finalmente mata.)
#4
- Assim pensava eu: “Não!,
eu amo o meu namorado”
e se tenho de sofrer tudo
– Meu Deus que não seja tudo já!)
___ era a violência
de dentro dos homens
como lama impura,
vindo do fundo
sem decoro que
não passa,
que nos fala
connosco como
nódoa escura,
na voz de ninguém
vindo da janela
sem vidraça.
(- “Maridinho! Sabias que
há namoradas que morrem
porque tiveram o azar de
dormir com outros rapazes?
#5
- Assim pensava eu: “Sim!,
eu amo o meu marido” e se
tenho de sofrer tudo esta noite
– Meu Deus que seja tudo já!)
___ um silvo apenas
no ar horrível
como de um cinto,
som instalado nos
muitos silêncios
do pátio perdido,
sem crianças ou
televisões só o seu
choro contido,
estranho o silêncio
nocturno horrível
que tudo sinto.
(- “Esposo! Sabias que há
quem morra em Portugal
porque teve o azar de casar
ou dormir com o inimigo?)
Lisboa, 15.11.04
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“POLITICA A DOIS” por angela o.
Agosto 26, 2008
Lembrança de Maria Teresa Horta
#1
Numa discussão política
nunca se descobre
___ a verdade,
mesmo se ditas em
silêncio as palavras
___ estremecem,
que ninguém te
convide se for por
___ vaidade,
a sentares à mesa
e depois te dizerem que
te conhecem.
#2
Qualquer discussão à mesa
pode ser um amargo
___ castigo,
mesmo entre amantes
que se conhecem com
___ alguma calma,
até podem ser muito
jovens e só mostrarem
___ o umbigo,
que desperdício discutir
política à mesa sem
fulgor ou alma.
#3
Lembras-te quando
te descobri numa longínqua
___ recordação,
aquele teu marco o 1º de Maio
na Alameda que te
___ maravilhou,
(que por mim foi escolhida
por a teres vivido com intensa
___ emoção),
pois quando se é jovem
todo e qualquer
jardim cantou!
#4
Mas preferiste terminar
a noite numa conversa
___ dispersa,
quando a política começou
na muda das minhas
___ doces luas,
na Casa do Alentejo
naquele primeiro andar
___ onde a conversa,
sobre o sobrado decadente
embriagou-nos de todas
as praias nuas.
#5
“Rouca doçura a
desta onda de espuma”
– ouviste-me contida,
fechei os olhos e agarrei
com torpor a coluna de
___ alabastro,
convidaste para sairmos
pois estava toda tremula e
___ sentida,
“Há problema, moça”?
ouvi mas não disse nada
agarrada ao mastro.
#6
Que problema poderia
haver aqui nesta minha
___ doce procura,
duma cidade assim? mas
deixaste correr as palavras
___ na posição ideal,
e eu deixei deslizar os
pés no soalho nesta
___ amarga tontura,
pois mentir não vale
antes fazer sentir que a
carne nasceu do mal.
Lisboa, 4.6.2004
“AQUILO EU QUERO”, por angela o.
Agosto 20, 2008
Lembrança de Adélia Lopes
#1
O homem
nu na sua
passagem,
e o olhar
preso ao seu
astro;
aquilo nu
na minha
___ paisagem,
como uma
bandeira no
___ mastro.
#2
Mas aquilo
está todo cru
e tapado,
e a minha
queda dá-se
no vazio;
olho agora o
homem nu e
___ tatuado,
e mexo mexo
o botão rosa
___ macio.
#3
Sinto esta
comunhão de
sensações,
a musica
ali toda
ardente;
a figura
erótica de
___ tentações,
sentida em
qualquer tarde
___ quente.
#4
Esta minha
vida nunca
fendida,
mesmo na
ausência
daquilo;
à atenção
se dá toda
___ perdida,
em qualquer
lugar
___ tranquilo.
#5
Pois possuo
o sinal da
realeza,
um poder
sobre qual-
quer rio;
de ler textos
mudos sem
___ fim,
enquanto
tu gritas eu
___ sorrio.
Lisboa, 24.5.2004
“O CONVITE”, por angela o.
Julho 28, 2008
Lembrança de Adélia Lopes
#1
Oh! aquela voz
o seu convite
___ de novo,
(para nos
vermos mas
sem estragos;
não que me
repudie o gosto
dos espargos,)
mas prefiro comer
peixe cozido
___ com ovo.
#2
Foram palavras
e mais palavras
___ cheias,
(depois ouvi
aquela pausa
quente e pesada,
que pela linha
veio muito bem
pensada,)
aquela voz
directa e sem
___ peias.
#3
- Repudia-te comer
carne ou comes
___ peixe?,
(e aguardou
a minha
resposta,)
preferes comer
antes bacalhau
em posta?
foi quando me
despertou o luminoso
___ feixe.
#4
O Cupido ou
ele disparou
___ a seta,
(directo ao
coração envolto
em mel,
directo ao
dedo na forma
de anel,)
que sonhei
quando alcançava
___ a meta.
#5
- Quero este
homem para me
___ acordar,
(mesmo na derradeira
cama ou num
pufe vermelho,
sem luz que
cegue ou com
o teu verdelho,)
preciso de tudo
para poder
___ nadar.
#6
Esta é a última
vontade de estar
___ a dois,
(aos meus
namorados antigos
e recentes,
deixo segredos
murmurados
entre dentes,)
ou a quem mais o
quiser descobrir sem
___ atrapalhar.
Lisboa, 6.5.2004
“TEMPO”, por angela o.
Julho 24, 2008
Lembrança de Adélia Lopes
#1
- Tu fazes
- me um
cafezinho?
( E ele descia
escorrendo
sem norte,
os dedos
pela minha
anca de
mansinho),
- olha ___ espera:
dizia ___ quero
falar-te da morte,
do desapare –
cimento ___
ouves José!
(E apalpava-me,
encostando a
boca à pele).
#2
- Tu fazes
-me um
cafezinho?
(E ele descia
mais escorrendo
sem perdão,
os dedos
pelas coxas
com carinho),
- olha ___ espera:
dizia ___ quero
falar-te da solidão,
desses nadas
___ ouves José!
(E apalpava-me,
encostando a
boca aos pêlos).
#3
- Tu fazes
-me um
cafezinho?
(E ele escorria
Mais descendo
como um dardo,
indo ao mais
fundo do seu
amorzinho),
- olha ___ espera,
es-pe-ra: dizia eu,
- quero falar-te
do fardo,
do que nos consome
a melhor parte de nós
___ ouves José!
(E apalpava-me,
encostando aquela
húmida e dura boca).
#4
- E tu Maria
depois fazes
-me um café?
(foi quando senti
o fino sopro da
juventude,
num hálito___
e num passo
dado sem fé),
- José! não esperes;
dizia ___ mas queria
falar-te da plenitude,
do tempo que
não existe no
teu dia-a-dia.
(E tocou-me fundo
ouvindo o meu
grito fino e aberto).
Lisboa, 5.4.2005
“RAÍZES HÚMIDAS” – parte 2, por angela o.
Julho 22, 2008
Lembrança de Maria Gabriela Llansol
#5
De costas ___
ou de frente
sou mesmo
desejada,
numa
escrita
fina e
englobante;
___ pois
vivo agora
despida e
apaixonada,
permitindo
toda a
leitura
arrazante.
#6
Morro ___
agora no
exterior
da luz,
vendo o
cavalo
avançar
para ela;
___pois
sem estar
pregada
à cruz,
tenho uma
visão
brilhante
e bela.
#7
Iluminar ___
ou revelar
que sou
potente,
sentir
que tenho
testa de
pedra;
___pois
analisar o
fluxo eléctrico
na mente,
é não recuar
perante
a tortuosa
Fedra.
Lisboa, 2.09.2004.









