\”Borderline\” (1984)

 

 

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“A TUA LUZ” . por angela o.

 

 

Lembrança da Madonna

 

 

#1

A tua

luz eu

a procuro,

 

na minha

cegueira

silenciosa,

 

no abandono

ao grito puro,

 

em que acaricio

o sentido

da coisa,

 

e me abandono

ao teu futuro.

 

(escuta, pois

este meu dia

___ de desamparo).

 

 

#2

A tua

luz eu

a procuro,

 

num

soluço

baixinho,

 

neste

abandono

escuro,

 

em que

acaricio

o caminho,

 

e me abandono

junto ao teu muro.

 

(escuta, pois

este meu dia

 ___ de ínfima fraqueza).

 

#3

A tua

luz é uma

visitação,

 

que não

consigo

compreender,

 

quando me

abandono cheia

de agitação,

 

e lá no

fundo tento

tudo morder,

 

ao me abandonar

aos nós da tentação.

 

(escuta, pois

este nosso dia

___ é de celebração).

 

#4

Escuta nas

dobras da

tua comoção,

 

escuta nos

nós da ínfima

generosidade,

 

escuta – escuta

nos mínimos

da fusão,

 

todo este

desamparo que

é intimidade,

 

mais o absurdo desta

minha confissão.

 

(escuta, escuta pois                          

___tantos anos

à procura da luz).

 

Lisboa 5.4.05

 

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- Madonna performed in Lisbon on the 14th and did her best impression of Baloo from The Jungle Boo

http://theblemish.com/2008/09/suck-it-madonna/

Google:

http://www.google.com/search2001.html 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

\”burning up\”

 

Lembrança de Madonna

 

 

#1

Sou um

pouco como a

libélula cativa,

 

— que vive

apenas uma

escassa hora;

 

todo o tempo

do mundo

ando fugitiva,

 

entre a alma

do poente e a

calma aurora.

 

 

#2

Aos primeiros

raios de sol nasço

cheia de beleza,

 

— e ao cair

da noite morro

toda humilhada;

 

não acredito que

este mundo é

lugar de tristeza,

 

embora me

extingue como

todas elas dobrada.

 

 

#3

Sou longeva

algumas vezes

outras inquieta,

 

— mas é no terror

das sombras que

lanço-me escondida:

 

em direcção aos

candeeiros embora 

sempre secreta,

 

como às labaredas

das fogueiras quando

não correspondida.

 

 

#4

São as labaredas

ardentes que

atraem-me,

 

— como quando

salto para uns

fortes braços;

 

fortes da vida

em que tudo de

mim saem-me,

 

perdendo-me

depois nas sombras

dos espaços.

 

 

#5

Também eu

tenho muitos

segredos dolorosos,

 

— pois acredito

que havendo luz

há vida e claridade;

 

sou atraída por

todos os esplendores

misteriosos:

 

como o riso dos

faunos ou o seu

olhar de liberdade.

 

 

#6

Sou atraída pelo

som de todos os

clarins desejados:

 

— tanto no mar

como na terra

gosto de ser amada;

 

são instantes

assombrosos que

ficam gravados,

 

se o sol me

ilumina deixando-me

arrebatada.

 

 

#7

Sou atraída por

todos os assombros

da paixão,

 

— pela romã cortada

ao meio com o

seu grito puro;

 

também pelo

cheiro acre daquilo

que me dão:

 

se a tua voz for

sem limites quando

em ti procuro.

 

 

Lisboa, 7.9.2004

 

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\”Into the groove\”

 

Lembrança da Madonna

 

#1

Praticar esse

saber

-  acordar;

 

tudo brotar

naquilo

- música,

 

possante

móvel o  

- homem nu,

 

um ser

musical pura

- matemática,

 

equação e

abismo a

- cru,

 

sentir dor

no aro

- fálica,

 

no fechamento

que

- penetrou.

 

#2

O texto faz

silêncio

- total,

 

o aro

adquire-o

- enfim,

 

música

escrita e

- cerebral,

 

mancha de

ruído

- sem fim,

 

sobre os teus

ombros

- de coral,

 

ser égua

ser peixe

-  ser tudo sim,

 

e no teclado

cair

- frontal.

 

#3

Num salto

mortal

 – conseguido,

 

para o texto 

a inclinação

- musical,

 

escrito e calado

na luta 

- comido,

 

mais o

abraçar

- teatral;

 

receptivo um

ao outro

- penetrado,

 

o homem nu

ao piano ser

- astral,

 

no combate

consigo

- cambial.

 

#4

Levantar o

espírito para

- ela,

 

debruçar-me

sobre o

- piano,

 

à luz

da tua

 - vela,

 

impressiona-me

este novo

-  plano,

 

através da

ramagem

-  amarela,

 

a música

ressoa este

- ano,

 

e o cheiro

percorre

- a trela.

 

#5

Reflectir no

piano nossas

- almas,

 

com intuito

de tudo

- devastar,

 

o músico nu

ouvi-lo na

- cama,

 

num muito

divino

- vergastar,

 

com nossa

escrita paixões

- na lama,

 

na força dos

nossos corpos

- manifestar,

 

o piano sem

peso no texto

- na trama.

 

Lisboa, 26.3.2004

 

 

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