“LIBÉLULA CATIVA” por angela o.
Setembro 17, 2008
Lembrança de Madonna
#1
Sou um
pouco como a
libélula cativa,
— que vive
apenas uma
escassa hora;
todo o tempo
do mundo
ando fugitiva,
entre a alma
do poente e a
calma aurora.
#2
Aos primeiros
raios de sol nasço
cheia de beleza,
— e ao cair
da noite morro
toda humilhada;
não acredito que
este mundo é
lugar de tristeza,
embora me
extingue como
todas elas dobrada.
#3
Sou longeva
algumas vezes
outras inquieta,
— mas é no terror
das sombras que
lanço-me escondida:
em direcção aos
candeeiros embora
sempre secreta,
como às labaredas
das fogueiras quando
não correspondida.
#4
São as labaredas
ardentes que
atraem-me,
— como quando
salto para uns
fortes braços;
fortes da vida
em que tudo de
mim saem-me,
perdendo-me
depois nas sombras
dos espaços.
#5
Também eu
tenho muitos
segredos dolorosos,
— pois acredito
que havendo luz
há vida e claridade;
sou atraída por
todos os esplendores
misteriosos:
como o riso dos
faunos ou o seu
olhar de liberdade.
#6
Sou atraída pelo
som de todos os
clarins desejados:
— tanto no mar
como na terra
gosto de ser amada;
são instantes
assombrosos que
ficam gravados,
se o sol me
ilumina deixando-me
arrebatada.
#7
Sou atraída por
todos os assombros
da paixão,
— pela romã cortada
ao meio com o
seu grito puro;
também pelo
cheiro acre daquilo
que me dão:
se a tua voz for
sem limites quando
em ti procuro.
Lisboa, 7.9.2004
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