“A TUA LUZ”, por angela o.
Setembro 19, 2008
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“A TUA LUZ” . por angela o.
Lembrança da Madonna
#1
A tua
luz eu
a procuro,
na minha
cegueira
silenciosa,
no abandono
ao grito puro,
em que acaricio
o sentido
da coisa,
e me abandono
ao teu futuro.
(escuta, pois
este meu dia
___ de desamparo).
#2
A tua
luz eu
a procuro,
num
soluço
baixinho,
neste
abandono
escuro,
em que
acaricio
o caminho,
e me abandono
junto ao teu muro.
(escuta, pois
este meu dia
___ de ínfima fraqueza).
#3
A tua
luz é uma
visitação,
que não
consigo
compreender,
quando me
abandono cheia
de agitação,
e lá no
fundo tento
tudo morder,
ao me abandonar
aos nós da tentação.
(escuta, pois
este nosso dia
___ é de celebração).
#4
Escuta nas
dobras da
tua comoção,
escuta nos
nós da ínfima
generosidade,
escuta – escuta
nos mínimos
da fusão,
todo este
desamparo que
é intimidade,
mais o absurdo desta
minha confissão.
(escuta, escuta pois
___tantos anos
à procura da luz).
Lisboa 5.4.05
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- Madonna performed in Lisbon on the 14th and did her best impression of Baloo from The Jungle Boo
http://theblemish.com/2008/09/suck-it-madonna/
Google:
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“LIBÉLULA CATIVA” por angela o.
Setembro 17, 2008
Lembrança de Madonna
#1
Sou um
pouco como a
libélula cativa,
— que vive
apenas uma
escassa hora;
todo o tempo
do mundo
ando fugitiva,
entre a alma
do poente e a
calma aurora.
#2
Aos primeiros
raios de sol nasço
cheia de beleza,
— e ao cair
da noite morro
toda humilhada;
não acredito que
este mundo é
lugar de tristeza,
embora me
extingue como
todas elas dobrada.
#3
Sou longeva
algumas vezes
outras inquieta,
— mas é no terror
das sombras que
lanço-me escondida:
em direcção aos
candeeiros embora
sempre secreta,
como às labaredas
das fogueiras quando
não correspondida.
#4
São as labaredas
ardentes que
atraem-me,
— como quando
salto para uns
fortes braços;
fortes da vida
em que tudo de
mim saem-me,
perdendo-me
depois nas sombras
dos espaços.
#5
Também eu
tenho muitos
segredos dolorosos,
— pois acredito
que havendo luz
há vida e claridade;
sou atraída por
todos os esplendores
misteriosos:
como o riso dos
faunos ou o seu
olhar de liberdade.
#6
Sou atraída pelo
som de todos os
clarins desejados:
— tanto no mar
como na terra
gosto de ser amada;
são instantes
assombrosos que
ficam gravados,
se o sol me
ilumina deixando-me
arrebatada.
#7
Sou atraída por
todos os assombros
da paixão,
— pela romã cortada
ao meio com o
seu grito puro;
também pelo
cheiro acre daquilo
que me dão:
se a tua voz for
sem limites quando
em ti procuro.
Lisboa, 7.9.2004
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“PRATICAR AQUILO”, por angela o.
Setembro 15, 2008
Lembrança da Madonna
#1
Praticar esse
saber
- acordar;
tudo brotar
naquilo
- música,
possante
móvel o
- homem nu,
um ser
musical pura
- matemática,
equação e
abismo a
- cru,
sentir dor
no aro
- fálica,
no fechamento
que
- penetrou.
#2
O texto faz
silêncio
- total,
o aro
adquire-o
- enfim,
música
escrita e
- cerebral,
mancha de
ruído
- sem fim,
sobre os teus
ombros
- de coral,
ser égua
ser peixe
- ser tudo sim,
e no teclado
cair
- frontal.
#3
Num salto
mortal
– conseguido,
para o texto
a inclinação
- musical,
escrito e calado
na luta
- comido,
mais o
abraçar
- teatral;
receptivo um
ao outro
- penetrado,
o homem nu
ao piano ser
- astral,
no combate
consigo
- cambial.
#4
Levantar o
espírito para
- ela,
debruçar-me
sobre o
- piano,
à luz
da tua
- vela,
impressiona-me
este novo
- plano,
através da
ramagem
- amarela,
a música
ressoa este
- ano,
e o cheiro
percorre
- a trela.
#5
Reflectir no
piano nossas
- almas,
com intuito
de tudo
- devastar,
o músico nu
ouvi-lo na
- cama,
num muito
divino
- vergastar,
com nossa
escrita paixões
- na lama,
na força dos
nossos corpos
- manifestar,
o piano sem
peso no texto
- na trama.
Lisboa, 26.3.2004
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“Angelina nunca chora”– por angela o.
Setembro 8, 2008
Lembrança de Artemisa Coimbra.
#1
- Assim pensava eu: “Ah! sim,
eu amo o meu namorado” e toda
a rapariga merece conhecer a dor
na flor dos anos – “c’est tout !”.
___mas tudo começou
um dia inespera-
damente,
para que a incrédula
angelina conhecesse
o seu choro;
todos se interrogavam
quem seria
aquele doente,
aquela forma
insegura de choro
nas mãos do mouro.
(- “Maridinho! Sabias que há
rapazes desequilibrados,
gente que usa e abusa da
condição física e até mata.)
#2
- Assim pensava eu: “Ah! sim,
eu amo o meu marido” e toda a
esposa merece conhecer a dor
na flor dos anos – “c’est tout !”.
___ mas inesperada-
mente da janela
subia aquele choro,
vindo do pátio
do lado sem luz
pois anoitecia;
do quarto se ouvia
a violência no ar
do silvo a couro,
a deselegância
do som que a todos
nos oprimia.
(- “Maridinho! Porque há
demasiados homens que
maltratam as esposas,
até na presença dos filhos?”).
#3
- Assim pensava eu: “Ah! sim,
eu amo o meu amante” e toda a
mulher merece conhecer a dor
na flor dos anos – “c’est tout !”.
___ mas não
era a primeira vez
confessou-me Angelina,
nem a segunda
ou seguramente
a última vez,
(que aquele som
vinha de dentro num
choro de menina);
choro que ia
subindo em violência
sobre a minha tez.
(- “Maridinho! Sabias que há
amantes, gente de mau carácter
que usa e abusa da condição
física e que finalmente mata.)
#4
- Assim pensava eu: “Não!,
eu amo o meu namorado”
e se tenho de sofrer tudo
– Meu Deus que não seja tudo já!)
___ era a violência
de dentro dos homens
como lama impura,
vindo do fundo
sem decoro que
não passa,
que nos fala
connosco como
nódoa escura,
na voz de ninguém
vindo da janela
sem vidraça.
(- “Maridinho! Sabias que
há namoradas que morrem
porque tiveram o azar de
dormir com outros rapazes?
#5
- Assim pensava eu: “Sim!,
eu amo o meu marido” e se
tenho de sofrer tudo esta noite
– Meu Deus que seja tudo já!)
___ um silvo apenas
no ar horrível
como de um cinto,
som instalado nos
muitos silêncios
do pátio perdido,
sem crianças ou
televisões só o seu
choro contido,
estranho o silêncio
nocturno horrível
que tudo sinto.
(- “Esposo! Sabias que há
quem morra em Portugal
porque teve o azar de casar
ou dormir com o inimigo?)
Lisboa, 15.11.04
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