“A UNIÃO DA CARNE ” – parte3, por angela o.
Julho 9, 2008
Lembrança de Maria Teresa Horta
#13
O corpo esta carne
___ só a escuto
como maria,
(que caiu na
“santidade original”
ao despertar ),
numa lógica
de partilha
na vertigem
___ fria,
(em que o sentir
umbilical é fardo
___ tumular!).
(Que significa “união erótica” a cirandar:
”se a mulher é feita para ser encontrada
___ e o homem para a encontrar”).
#14
O teu corpo esta carne
___ só a escuto
quando sitiada,
(tal como uma
virgem aos gritos
perdida ),
numa lógica
viscosa ao ser
___ desejada,
(em que tudo olhavas
mesmo não estando
___ colhida!).
(Que é ser mulher- criança:
”senão dar gritos delirantes cheios de ardor
senão mesmo um tempo
___ em vez de um calor em mim”).
#15
O corpo esta carne
___ só a escuto
enquanto tremia,
(porque caiu na
“santidade animal”
de tudo abdicar ),
numa lógica de verdade
física que tudo
___ pressentia,
(quando deixava de
ser eu mas outra a
___ transbordar !).
(Que significa “união canibal” a vagabundear:
”se a mulher é feita para ser encontrada
___ e o homem para a encontrar”).
#16
O teu corpo essa carne
___ só a escuto quando
destravada,
(tal como a
mulher frívola a
cair desfeita),
numa lógica
submissa em tudo
___ desvairada,
(em que tu me olhavas
como uma mulher
___ eleita!).
(Amo-vos mulheres-esfinge:
”pois espia o tempo e este não é senão um calor
___ em vez de um ardor em mim”).
#17
O corpo esta carne
___ só a escuto
quando se alumia,
(porque caiu na
“santidade primordial”
da pessoa vulgar),
numa lógica de
pureza que tudo
___ repudia,
(mesmo na grinalda
votiva que te desafia
___ o olhar!).
(Que significa “união bestial” no limiar:
”se a mulher é feita para ser encontrada
___ e o homem para a encontrar”).
#18
O corpo a minha carne
___ só a escuto
quando enfeitiçada,
(tal como a
“santa passiva” na
sua mortificação),
numa lógica
de fractura toda
___ escancarada,
(numa crise
convulsiva até à
visão da salvação!).
(Pois andar cheia de frenesi comicial:
ӎ ter este calor todo como pudor ___
senão mesmo um ardor ou tremor ___
em vez de um tempo ou desgramento em mim”).
Lisboa, 14.06.05
