Lembrança de Maria Teresa Horta

 

#13

O corpo esta carne

___ só a escuto

como maria,

 

(que caiu na

“santidade original”

ao despertar ),

 

numa lógica

de partilha

na vertigem

___ fria,

 

(em que o sentir

umbilical é fardo

___ tumular!).

 

(Que significa “união erótica” a cirandar:

”se a mulher é feita para ser encontrada

___ e o homem para a encontrar”).

 

 

 

#14

O teu corpo esta carne

___ só a escuto

quando sitiada,

 

(tal como uma

virgem aos gritos

perdida ),

 

numa lógica

viscosa ao ser

___ desejada,

 

(em que tudo olhavas

mesmo não estando

___ colhida!).

 

(Que é ser mulher- criança:

”senão dar gritos delirantes cheios de ardor

senão mesmo um tempo

___ em vez de um calor em mim”).

 

 

 

#15

O corpo esta carne

___ só a escuto

enquanto tremia,

 

(porque caiu na

“santidade animal”

de tudo abdicar ),

 

numa lógica de verdade

física que tudo

___ pressentia,

 

(quando deixava de

ser eu mas outra a

___ transbordar !).

 

(Que significa “união canibal” a vagabundear:

”se a mulher é feita para ser encontrada

___  e o homem para a encontrar”).

 

 

 

#16

O teu corpo essa carne

___ só a escuto quando

destravada,

 

(tal como a

mulher frívola a

cair desfeita),

 

numa lógica

submissa em tudo

___ desvairada,

 

(em que tu me olhavas

como uma mulher

___ eleita!).

 

(Amo-vos mulheres-esfinge:

”pois espia o tempo e este não é senão um calor

___  em vez de um ardor em mim”).

 

 

 

#17

O corpo esta carne

___ só a escuto

quando se alumia,

 

(porque caiu na

“santidade primordial”

da pessoa vulgar),

 

numa lógica de

pureza que tudo

___ repudia,

 

(mesmo na grinalda

votiva que te desafia

___ o olhar!).

 

(Que significa “união bestial” no limiar:

”se a mulher é feita para ser encontrada

___ e o homem para a encontrar”).

 

 

 

#18

O corpo a minha carne

___ só a escuto

quando enfeitiçada,

 

(tal como a

“santa passiva” na

sua mortificação),

 

numa lógica

de fractura toda

___ escancarada,

 

(numa crise

convulsiva até à

visão da salvação!).

 

(Pois andar cheia de frenesi comicial:  

ӎ ter este calor todo como pudor ___

senão mesmo um ardor  ou  tremor ___

em vez de um tempo ou desgramento em mim”).

 

 

Lisboa, 14.06.05

 

 

 

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