Lembrança de Maria Gabriela Llansol

 

#1

A ninguém me

apetece falar

___de infernos,

 

mas apetece

encontrar-me

com alguém,

 

atravessar em

vigília o sono

que não vem,

 

convidado por

alguém em sonhos

___ eternos,

 

 

#2

Mas sempre

aparece é claro

___ a língua,

 

a intersecção da

língua na língua

arrancada,

 

a desocultação

da língua na

língua trancada,

 

aquela língua

transparente na impostura 

___ da língua.

 

 

#3

A memória está

comigo agora

___ na língua,

 

quando subo

o primeiro lanço

da escada;

 

é nostalgia

infinita da língua

arrancada,

 

neste círculo

de sofrimento

___da língua.

 

 

#4

Mas nunca

aparece é claro

___ a língua,

 

quando se sobe

os degraus e

toca-se à porta,

 

do que nasce

do sangue que

não está morta,

 

que é sombra

doente sob o nome

___ da língua.

 

 

 

Lisboa, 2.09.2004.

 

 

 

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