Lembrança de Maria Teresa Horta

#7

O meu corpo

esta carne___

não a compreendo

como sangue,

 

(pois caiu numa

armadilha real ___

em que tudo em ti

é penitente),

 

naquela lógica

mesquinha___

de rosto

exangue,

 

(em que o meu

sentir animal ___

é mesmo

inocente!).

 

(Que significa esse olhar de invasão:

”se a carne tem razões ___

que brincam com a razão”).

 

 

#8

O teu corpo

esta carne___

não a compreendo

em mim,

 

tal como a flor

do meu ser___

resiste à sede

como o camelo,

      

(naquela lógica

sangrenta ___

de outra

mesmo assim),

 

 

em que tudo

olhavas ___ 

de hirto como

num pesadelo!).

 

(O que é ser mulher:

”senão ouvir gritos sonoros cheios de ardor,

senão mesmo um tempo ___

em vez de um calor em mim  ”).

 

 

#9

O meu corpo

essa carne___

não a compreendo

como terra escura,

 

(pois caiu numa

armadilha central ___

em que tudo em

ti me ofusca),

 

naquela lógica

de criança___

que é elástica

e dura,

 

(que não me

deixa de todo

ser eu ___

nesta busca!).

 

(Que significa esse olhar de fusão :

”se a carne tem razões___

que brincam com a razão”).

 

 

#10

O teu corpo

essa carne ___

não a compreendo

senão maluca,

 

(tal como o fruto

do pecado ___

sulcado de

vermelho),

 

naquela lógica

sangrenta ___

de espiar-me

já caduca,

 

(em que tudo

olhavas ___

quando me

espelho!).

 

(Amo-vos mulheres:

”pois espiar o tempo não é senão um calor___

em vez de um ardor em mim”).

 

 

#11

O meu corpo

a tua carne ___

não a  compreendo

como intrusa,

 

(pois caiu numa

armadilha brutal ___

cheia de

sonho),

 

naquela lógica

de adulto ___

trémula e

confusa,

 

(em que

tudo é luar ___

mesmo

medonho!).

 

(Que significa esse olhar de implosão:

”se a carne tem razões___

que brincam com a razão”).

 

 

#12

O teu corpo

a minha carne ___

não a compreendo

desprendida,

 

(tal como a

minha ferida ___

de mulher

escorchada),

 

naquela sangrenta

lógica ___

quando toda

fendida,

 

(em que tudo

beijavas ___

quando  

desnudada!).

 

(Andar cheia de mulher:

”é como ter este calor senão mesmo um ardor ___

em vez de um tempo em mim”).

Lisboa, 14.06.05

 

 

 

 

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