“A UNIÃO DA CARNE ” – parte 2. , por angela o.
Junho 16, 2008
Lembrança de Maria Teresa Horta
#7
O meu corpo
esta carne___
não a compreendo
como sangue,
(pois caiu numa
armadilha real ___
em que tudo em ti
é penitente),
naquela lógica
mesquinha___
de rosto
exangue,
(em que o meu
sentir animal ___
é mesmo
inocente!).
(Que significa esse olhar de invasão:
”se a carne tem razões ___
que brincam com a razão”).
#8
O teu corpo
esta carne___
não a compreendo
em mim,
tal como a flor
do meu ser___
resiste à sede
como o camelo,
(naquela lógica
sangrenta ___
de outra
mesmo assim),
em que tudo
olhavas ___
de hirto como
num pesadelo!).
(O que é ser mulher:
”senão ouvir gritos sonoros cheios de ardor,
senão mesmo um tempo ___
em vez de um calor em mim ”).
#9
O meu corpo
essa carne___
não a compreendo
como terra escura,
(pois caiu numa
armadilha central ___
em que tudo em
ti me ofusca),
naquela lógica
de criança___
que é elástica
e dura,
(que não me
deixa de todo
ser eu ___
nesta busca!).
(Que significa esse olhar de fusão :
”se a carne tem razões___
que brincam com a razão”).
#10
O teu corpo
essa carne ___
não a compreendo
senão maluca,
(tal como o fruto
do pecado ___
sulcado de
vermelho),
naquela lógica
sangrenta ___
de espiar-me
já caduca,
(em que tudo
olhavas ___
quando me
espelho!).
(Amo-vos mulheres:
”pois espiar o tempo não é senão um calor___
em vez de um ardor em mim”).
#11
O meu corpo
a tua carne ___
não a compreendo
como intrusa,
(pois caiu numa
armadilha brutal ___
cheia de
sonho),
naquela lógica
de adulto ___
trémula e
confusa,
(em que
tudo é luar ___
mesmo
medonho!).
(Que significa esse olhar de implosão:
”se a carne tem razões___
que brincam com a razão”).
#12
O teu corpo
a minha carne ___
não a compreendo
desprendida,
(tal como a
minha ferida ___
de mulher
escorchada),
naquela sangrenta
lógica ___
quando toda
fendida,
(em que tudo
beijavas ___
quando
desnudada!).
(Andar cheia de mulher:
”é como ter este calor senão mesmo um ardor ___
em vez de um tempo em mim”).
Lisboa, 14.06.05
