“A UNIÃO DA CARNE ” – parte1, por angela o.
Junho 5, 2008
Lembrança de Maria Teresa Horta
#1
O meu corpo
esta carne ___
compreendo-a
só no escuro,
(ao cair na
armadilha em
que tudo em mim
sangrava),
como na lógica
mesquinha
desse teu
amplexo puro,
(que no meu
sentir mental
já eu tudo
adivinhava!).
(Que significa então ___
esse teu olhar de Adão:
”se a carne tem razões,
que brincam com a razão?”).
#2
O teu corpo
esta carne ___
compreendo-a
por inteiro,
(tal como
a casa
que pulsa e
respira ao luar),
como na lógica
sangrenta ___
de um meu
companheiro,
(quando
tudo em mim
olhavas muito
devagar!).
(O que é tu seres homem:
”se andas com rodeios ___
se já na infância se ouviam,
tantos ganidos sem freios!”)
#3
O meu corpo
essa carne ___
compreendo-a
quando dada,
(pois caiu na
armadilha visual ___
de uma noite
nítida e estranha),
como naquela
lógica de criança
mesmo toda
serena e nublada,
(em que não
deixas que eu
também goze
e me tenha!).
(Que significa então___
esse olhar de constrição:
”se a carne tem razões,
que brincam com a razão”).
#4
O teu corpo
essa tua carne___
aceito-a
sem regra,
(como as
tuas pernas ___
ao ajoelhar
para me beijares),
naquela lógica
de ir e vir ___
na crista da
onda negra,
(em que tudo
me dizias___
sem nada me
perguntar!).
(Homens! Amo – vos muito:
“pois ter asas no tempo ___
não é senão sentir um calor,
em vez de um grande ardor?”).
#5
O meu corpo
essa carne ___
aceito-a na
melancolia,
(pois caiu na
armadilha ___
das lágrimas
caladas),
naquela lógica
de adulto ___
muito cerrada
e fria,
(em que tudo
são rosas ___
mas todas
desfloradas!).
(Que significa esse___
teu olhar de possessão:
”se a carne tem razões,
que brincam com a razão!”).
#6
O teu corpo
essa carne ___
aceito-a quando
peregrina,
(tal como
a tua boca
quando é toda
só para mim),
como naquela
lógica ___
sangrenta de
ascensão divina,
(em que
beijavas-me ___
como a nenhuma
outra assim!).
(Andar cheia de homem:
“é conter todo este calor ___
senão mesmo todo o ardor,
em vez do tempo em mim”).
Lisboa, 14.06.05
